Chegamos em Porto Príncipe,capital do Haiti,no dia 17 de julho. Fomos recebidos pelos freis da Casa São Francisco de Assis da Providência de Deus, brasileiros que moram aqui e fazem um belíssimo trabalho nesta região.
Do aeroporto até a casa dos religiosos passamos por ruas cheias de gente; com muitas barracas improvisadas que são mercados que vendem de tudo. Não tem esgoto encanado e na Capital não há serviço de transporte público, não tem ônibus ; o meio de transporte usado são pequenos caminhões que se chamam tap..tap.. Vão empilhados de gente e quando alguém quer descer dá tapas no caminhão, daí o nome . O que vimos pelo caminho foi muita miséria e tristeza!
Nossa missão começou com uma reunião com os freis que nos contaram um pouco do trabalho deles aqui. Eles ajudam os jovens , crianças e famílias . Todo sábado reúnem mais de trezentos jovens num trabalho muito parecido com os Oratórios dos Salesianos.
Procuram ajudar a todos, principalmente a minorar a fome; que é a preocupação mais urgente e também com o fornecimento de água , pois aqui, mesmo sendo a capital do país, não há água encanada, A água é contaminada, o que gera muitas doenças. Então é preciso comprar água de caminhões pipas. Após conhecer o trabalho dos freis, rezamos e fomos descansar; pois a viagem foi cansativa e precisamos refazer nossas forças para o dia de amanhã.
Acordamos cedo no dia 18 para rezarmos as laudes com os freis e toda a equipe. A Capela deles é dentro de um contêiner. No café da manhã, os freis nos contaram todo o sofrimento do povo haitiano e como a Igreja Católica , com muitas frentes de trabalho, vem amenizando esse sofrimento, principalmente ajudando na alfabetização; há muitas escolas católicas aqui.
Todo o tempo, os freis usam o hábito e são muito bem acolhidos e respeitados por todo o povo; que vêem neles uma ajuda material e principalmente espiritual.
A língua oficial do Haiti é o francês, mas os freis nos informaram que 80% da população falam o “crioulo”, língua de origem africana acrescentada de algumas palavras francesas, Com o povo não adianta falar o francês, que é só usado em repartições públicas. As missas são rezadas em “crioulo”. Já aprendemos algumas palavras com os freis para saudar o povo.
Tivemos logo cedo, uma audiência com o Monsenhor Xandi, Chanceler do Arcebispado de Porto Príncipe, que recebeu toda a nossa equipe; pois o Arcebispo está doente e em tratamento nos Estados Unidos. Monsenhor Xandi foi muito gentil e pedimos a ele para nos indicar o que poderíamos fazer nesta missão . De início ele pediu que colaborássemos com os freis Franciscanos da Providência de Deus; que estão aqui trabalhando com os jovens, crianças e famílias carentes.
Foi com muita alegria que encontramos com Pe Jean Pietro, que faz trabalho com os moradores de rua em São Paulo e que assisti uma comunidade aqui; que pretendemos visitar em outro dia.
Tivemos a autorização do Chanceler para visitar e até tirar fotos das ruínas da Catedral. Foi um momento muito importante e até emocionante. As ruínas ficam cercadas pois ainda há perigo de desmoronamento. Rezamos diante do Crucifixo que ficou intacto após o terremoto. Os freis nos dizeram que grupos de pessoas vêem aqui rezar: não só católicos , mas grupos de outras religiões , que vêem no Crucifixo intacto , um sinal de Deus, visto que tudo ao seu redor caiu com o terremoto que devastou o Haiti.
Fomos também até o local onde Dra. Zilda Arns faleceu, vítima do terremoto. Ali ficava a Faculdade de Teologia e onde Dra. Zilda fazia uma palestra para os religiosos com o intuito de implantar no Haiti a Pastoral da Criança. Hoje, é um terreno vazio.
Em frente a Faculdade, ficava a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, que ficou completamente destruída pelo terremoto; hoje um galpão enorme, coberto com telhas de zinco. Encontramos várias pessoas rezando o terço, Esperavam a missa que seria rezada ao meio dia.Conversamos com o Pároco que nos disse da vontade do povo de reconstruir a Igreja.
Ao lado da Igreja tem a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, que não ficou destruída pelo terremoto, mas com os abalos, a Imagem de Nossa Senhora, que ficava de frente para quem estava rezando, ficou virada com os olhos voltados para o lugar onde a Dra. Zilda Arns morreu. Ficamos muito emocionados ao ver a Imagem preservada e com os depoimentos das pessoas que foram rezar no local.
Ao final da tarde, voltamos para a Casa dos Freis onde celebramos a missa e fomos descansar. Amanhã continuaremos nossa missão tentando levar a esse povo tão sofrido a mensagem de Jesus Cristo e aprender com eles a ter fé , força e jamais desistir diante das adversidades da vida.
A todos, pedimos orações !Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Dom José Eudes Campos do Nascimento
Bispo de Leopoldina



































