“Deus é perfeito em seu caminho, a palavra do Senhor é provada. Ele é um escudo para todos aqueles que Nele se abrigam” (Salmo 18,31)
O caminho ascético do silêncio se apresenta como meio privilegiado para reordenar todos os nossos afetos e paixões, para permitir que a graça obre a santidade em nossa vida. Com os nossos afetos em ordem podemos entrar na luta por uma intimidade maior com Deus. Não é demais recordar que se trata de um caminho positivo, integral e dinâmico, que busca harmonizar e reconciliar o coração humano, para, assim, focalizar todos as suas energias em direção à conformação com o Senhor Jesus.
Fazer silêncio no coração significa calar todos os afetos e paixões desordenadas que possam nos afastar dos planos de Deus, e semear os afetos e paixões corretas que permitam, a partir de uma liberdade possuída, responder ao chamado de Deus-Amor. Ele nos chama a um encontro todo especial. Nesse encontro Ele nos dá a graça de sermos transformados por inteiro.
O desejo de santidade exige alcançar, pelo caminho do silêncio, um coração indiviso. Um coração que veja reconciliadas suas rupturas e que não encontre fratura ou divisão alguma. O Evangelho nos diz que: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mateus 6,24). Diante desta palavra, devemos pensar em nosso jeito de viver. Como estamos servindo ao Senhor? Estamos divididos ou somos só Dele? Porém, um coração indiviso não é aquele que tem um só amor, senão aquele que vê todos os seus amores harmonizados corretamente sob a soberania de um só Senhor. Um coração indiviso é a fortaleza que, cimentada sobre a Graça, constitui a garantia da fidelidade.
Um coração fragmentado e dividido deixa escapar seus impulsos vitais, pelas rachaduras de sua própria dispersão, fazendo-se incapaz de bater com a força que suas próprias aspirações reclamam. Um coração assim corre grave risco de deixar estéril a graça derramada por Deus. Pelo contrário, um coração silencioso e indiviso encontra no desejo de santidade a energia capaz de lançá-lo num amor heróico, abnegado, que não dá lugar à mesquinhez, à apatia ou à tibieza. Novamente nos podem ilustrar os exemplos de um amor humano. Alguém realmente enamorado de outra pessoa não poupa esforços nem preocupação por quem é objeto de seu afeto.
Portanto, pelo caminho do silêncio e do amor, encontraremos muitas respostas para nossa vida. Esse caminho é um caminho de ousadia, só quem tem a coragem de percorrê-lo pode entender aquilo que Deus nos fala no caminho do silêncio. Os santos tiveram a intrepidez de percorrer esse caminho. E você, o que pensa fazer?
Com orações,
Seminarista Valtenir Lima
