Em tempos agitados em que impera o volátil, o relativo e o efêmero, apraz pensar sobre o ser cristão, sobretudo na decisão de estar com Jesus, aprender com Ele, conviver com Ele. O que é decidir-se por Jesus? Optar por Ele? Querer estar com Ele? Essas perguntas movem a existência do homem na sua caminhada nesse mundo.
As possibilidades para ser quase tudo sempre se apresentam de forma mais real para o homem. O ser humano é um ser de possibilidades e angustia-se por isso, sente-se cada vez mais humano diante de sua liberdade de ser. De-cidir-se por Jesus implica renúncia, corte com outras realidades, rompimento com o outro, implica escolha efetiva por um Homem, por uma proposta de vida, é optar por um Reino.
Essa escolha é muito exigente para o homem, pois aparentemente sugere perdas, mas escolher Jesus nunca significa que haverá perdas. Ele nos dá tudo, razão para viver, alegria que contagia. Cristo não nos subtrai nada. Ele diz a quem o encontra “alegrai-vos comigo” (Lc 15, 9). Ele é a alegria, estar com Jesus é querer ser Jesus, tornar-se Ele mesmo e perpetuar seu projeto para esse mundo.
À pessoa que decide por ele, Ele sempre de novo repete “filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu” (Lc 15, 31). A presença de Jesus é sempre geradora de vida, sempre fértil. Ele mesmo faz presença e é condição de possibilidade do existir, do estar, do permanecer de pé, apesar de efetiva possibilidade de queda.
A fertilidade da presença de Jesus fertiliza todos os que a Ele se unem e descobrem que tudo provém Dele e que sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5). É preciso estar com Ele, pois o ser humano encontra Nele sua identidade mais íntima. Jesus reza por aqueles que o acompanham, que permanecem com Ele, assim Ele reza: “por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, e tudo o que é meu é teu, e neles sou glorificado. Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós” (Jo 17, 9-11).
Permanecer com Jesus significa tornar-se discípulo, entrar na sua escola, dispor a aprender e entender que para ser discípulo é preciso ser muito mais do que isso que nós somos, superar a si mesmo em nome de um bem maior. É preciso identificar-se com Jesus para ter as mesmas atitudes que Ele. É preciso comungar Dele.
Fazer a opção por Jesus é um apaixonar-se de novo, um perene reencantar-se, um constante dilatar do coração. O discípulo é um seguidor encantado por Jesus Cristo. Quem caminha com Ele aprende a ver que somos muito mais servos do que funcionários, que a Igreja não é apenas uma organização, mas é muito mais um mistério, uma verdade a ser vivida e experimentada e juntos, como família e Igreja, deixarmo-nos ensinar por quem nos encaminha e nos leva ao Pai, Jesus Cristo.
Decidir estar com Jesus é também, com efeito, dis-por-se sempre mais a aprender de Maria. Ela ensina a caminhar na fé, a ser discípulos, a ouvir com o coração e viver as consequências do amor em Jesus, seu filho e nosso irmão. É preciso estar com Ele, caminhar com Ele e ser Ele até às últimas consequências.
