Nos contrafortes da Serra da Mutuca, no Distrito de Vilas Boas, em Guiricema (MG), encontra-se uma comunidade eclesial conhecida por ‘Santa Montanha’, que atrai fiéis de diversas regiões do país, que levam suas súplicas a Nossa Senhora da Misericórdia e participam das missas celebradas no Rito Romano Extraordinário.
Lá existe uma comunidade de fé formada por várias famílias e por um grupo de religiosas que, embora em comunhão de obediência e assistido pelos padres da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, sediada em Campos dos Goytacazes (RJ), não possuía qualquer reconhecimento por parte da Igreja.
Para a regularização canônica da comunidade, após tratativas entre a Diocese de Leopoldina (MG), onde ‘Santa Montanha’ está localizada geograficamente e a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, responsável pela assistência pastoral, será criada a Capelania de Nossa Senhora da Misericórdia.
A instalação da capelania se dará na Festa do Imaculado Coração de Maria, padroeiro da Diocese de Leopoldina, no dia 08 de junho, às 16h, em Santa Missa Pontifical presidida por dom Fernando Arêas Rifan, bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, com a presença do bispo diocesano de Leopoldina, dom Edson Oriolo e diversos sacerdotes e ambas as circunscrições eclesiásticas.

UM BREVE HISTÓRICO
A comunidade de Santa Montanha se desenvolveu impulsionada por uma suposta aparição de Nossa Senhora, a partir do dia 02 de fevereiro de 1966. Não existe nenhum estudo teológico-canônico ou posição das autoridades eclesiásticas a respeito de uma possível sobrenaturalidade, mas, o fato é que o local se desenvolveu admiravelmente e tornou-se um centro de pregação da Palavra de Deus, Administração dos Sacramentos e devoção a Nossa Senhora, que acolhe peregrinos de diversas localidades.
Em 2003, por iniciativa do então bispo diocesano, dom Frei Célio de Oliveira Goulart OFM, a assistência pastoral da comunidade foi confiada aos sacerdotes da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. Desde então, atuam em ‘Santa Montanha’ os padres Geraldo Gualandi e Manoel Macedo de Faria, residentes em Itaperuna (RJ).
Quando assumiu o governo da diocese de Leopoldina, em janeiro de 2020, dom Edson Oriolo voltou sua atenção para aquela realidade e, informado da superação das dificuldades encontradas no passado, movido por sentimentos de humanidade e comunhão eclesial, manifestou o desejo de regularizar, de acordo com a legislação da Igreja, a situação canônica de ‘Santa Montanha’, que faz parte da riqueza eclesial da Diocese de Leopoldina.
Dom Edson Oriolo, iniciou as tratativas para uma solução definitiva, sugerindo o ingresso das citadas irmãs em uma Associação Pública de Fiéis estavelmente constituída na própria Administração Apostólica. Dom Fernando Rifan esteve reunido com Dom Edson, em Leopoldina (MG), no dia 22 de novembro de 2022, para o início das tratativas. Ambos manifestaram plena sintonia acerca da necessidade de regularização e dos passos a serem dados. Formou-se, então, uma comissão sob a responsabilidade de Mons. José de Matos Barbosa, Vigário Geral da Administração Apostólica e canonista, com a participação dos padres da Cúria Diocesana de Leopoldina, padre Antônio Márcio Marques de Queiroz, padre Fernando José de Freitas e padre Maycon Zeni Gonçalves.

Dom Edson Oriolo (E) e Dom Fernando Rifan
O PROCESSO CANÔNICO
Após entendimentos estabelecidos por Dom Rifan na própria Administração Apostólica, iniciou-se o diálogo para que as religiosas de ‘Santa Montanha’ pudessem integrar uma Associação Pública de Fiéis já existente. Devido às similaridades de carisma a escolha recaiu sobre a ‘Associação Pública de Fiéis Senhora do Rosário de Fátima e do Monte Carmelo’, estavelmente constituída na Administração Apostólica e sediada em Santo Antônio de Pádua-RJ. Inicialmente, foi promovido um estreitamente de laços entre os dois grupos, seguido de várias reuniões e discussões sobre a viabilidade e termos da proposta. Com admirável espírito de obediência, humildade, comunhão e boa vontade de ambas, chegou-se a uma resolução definitiva, mediante o pedido de ingresso, livremente assinado por cada religiosa individualmente e o Capítulo Extraordinário, celebrado em Santo Antônio de Pádua-RJ, aos 23 de setembro de 2023, em que as irmãs da Associação Pública de Fiéis votaram unanimemente pela aceitação das irmãs de ‘Santa Montanha’. Finalmente, estes atos foram minuciosamente comunicados a Dom Fernando Arêas Rifan, mediante a entrega de todos os documentos que constituem o processo canônico e por ele aprovados aos 23 de dezembro de 2023.
Concluído o processo de regularização da comunidade de irmãs, era necessário oficializar sua presença e apostolado na Diocese de Leopoldina. Neste sentido, no dia 23 de abril último, Dom Edson Oriolo recebeu das mãos de Mons. José de Matos, representando Dom Fernando Rifan, uma cópia do processo canônico e o pedido formal, assinado pela Superiora Geral, Madre Maria José do Sagrado Coração de Jesus, para que as Irmãs, agora integrantes da Associação Pública de Fiéis Senhora do Rosário de Fátima e do Monte Carmelo, pudessem estabelecer uma casa e realizar seu apostolado em nossa diocese, especificamente em ‘Santa Montanha’. No dia seguinte, 24 de abril, em reunião extraordinária convocada pelo nosso Bispo Diocesano, o Conselho de Presbíteros aprovou por unanimidade o desejo do bispo de aquiescer a essa solicitação.
DECRETO EPISCOPAL E COMUNICAÇÃO ÀS IRMÃS
O Decreto Episcopal Singular de consentimento com o estabelecimento de uma casa da Associação Pública de Fiéis Senhora do Rosário de Fátima e do Monte Carmelo na Igreja Particular de Leopoldina, traz a data de 30 de abril, e invoca o Cân. 609§1, do Código de Direito Canônico. Dom Edson Oriolo, incumbiu o Vice-Chanceler do Bispado, Pe. Fernando Freitas, de comunicar a resolução às irmãs, entregando-lhes pessoalmente uma via do decreto e uma carta em que, paternalmente, renova seus sentimentos quanto a presença e apostolado na diocese.
O dia escolhido para esse acontecimento foi 1º de maio, Festa de São José Operário e início do mês dedicado à devoção a Nossa Senhora. As irmãs receberam o Pe. Fernando no oratório de seu convento, onde foram lidos o decreto e a carta que o acompanhava. Em seguida, com notório regozijo das irmãs, o sacerdote entregou tais documentos à Superiora Local, Madre Maria Auxiliadora da Santa Face. Após um momento de confraternização, no refeitório do convento, todos se dirigiram novamente à capela onde foi dada a Benção do Santíssimo Sacramento e cantada a Ladainha de Nossa Senhora.

A CAPELANIA
O último passo é a regularização da própria comunidade, aqui entendida de forma estrita, isto é, como o grupo especial de fiéis que ali reside ou frequenta regularmente.
Ouvido o parecer de canonistas, os bispos envolvidos decidiram pela capelania nos termos dos Cân. 564 a 572 do Código de Direito Canônico. A capelania de Nossa Senhora da Misericórdia será erigida na jurisdição da diocese de Leopoldina e confiada, por instrumento de convênio, à Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, por tempo determinado e renovável. Após a sua instalação, caberá a Dom Fernando Rifan nomear o capelão entre os sacerdotes da Administração Apostólica.

Em circular enviada ao clero no dia 13 de maio, dom Edson comentou: “Estamos felizes pelo bom termo da questão e especialmente gratos aos Corações de Jesus e Maria por essa regularização canônica, tão importante para a comunhão e significativa para a múltipla riqueza eclesial de nossa diocese. Temos apreço pelo princípio de unidade na diversidade e queremos vivenciá-lo através de nossa sensibilidade pastoral. Para a comunidade de ‘Santa Montanha’ é um passo imprescindível na vivência de sua vocação própria: espaço de encontro com Deus pela pregação do Evangelho, vivência sacramental e devoção mariana”.
