Leopoldina (MG) – A Catedral de São Sebastião, Igreja-Mãe da Diocese de Leopoldina, acolheu na manhã de 19 de janeiro de 2026, às 10h, a Solene Celebração Eucarística em Ação de Graças pelo primeiro ano da revitalização do Cabido Diocesano. Presidida pelo bispo diocesano, dom Edson Oriolo, a missa reuniu sacerdotes do clero e fiéis em um momento de gratidão, memória e reafirmação da identidade eclesial da Igreja Particular de Leopoldina, que está presente em 34 municípios do Sudeste de Minas Gerais.
A celebração foi compreendida como mais do que uma data comemorativa: tratou-se de um marco de memória histórica e fortalecimento institucional, evidenciando a centralidade da Catedral de São Sebastião como referência espiritual e pastoral e resgatando uma tradição que acompanha a Diocese desde meados do século XX.
O Cabido Diocesano de Leopoldina tem origem na organização histórica das Igrejas catedrais. Foi criado em 30 de abril de 1949, por meio da bula “Sapienter Praescribunt”, do Papa Pio XII, atendendo ao pedido do primeiro bispo diocesano, Dom Delfim Ribeiro Guedes.
A instituição foi solenemente instalada em 9 de outubro de 1949, na própria Catedral de São Sebastião, e seus estatutos foram aprovados em 28 de junho de 1950, com composição inicial de dez cônegos catedráticos.
Na instalação, foram empossados os primeiros capitulares, entre eles: Mons. Côn. João Crisóstomo Campos, Mons. Côn. Ernesto Tancredo, Côn. Américo José Duarte, Mons. Côn. Ibrahim Gomes Caputo, Côn. Sudário Maria Morais Mendes, Côn. Raymundo Nonato Fernandes de Araújo, Mons. Côn. Solindo José da Cunha, Côn. Geraldo Majela Faria Teixeira e Mons. Côn. Guilherme de Oliveira, conforme o registro histórico divulgado pela Diocese.
Com o passar das décadas, novas nomeações foram ocorrendo para preenchimento de vagas: em 1952, Mons. Raul de Faria Cunha; em 1959, Mons. Côn. Ibrahim Gomes Caputo e o Côn. Messias Passos; em 1965, Mons. Côn. Antônio José Chámel; em 1976, Mons. Côn. João Macário de Castro; e, em 1981, Mons. Côn. Geraldo Mendes Monteiro, Côn. Venício Santos e Silva e Côn. Sebastião Jorge Corrêa.
Da diminuição do Cabido à decisão de revitalizar
Ao longo do tempo, o Cabido foi perdendo membros, até chegar a um ponto crítico: antes da revitalização, apenas uma cadeira permanecia ocupada, o que motivou a reconstituição do colégio capitular.
A preparação para esse passo foi amadurecida ainda em 2024, quando dom Edson Oriolo se reuniu com o cônego Sebastião Jorge Corrêa e sacerdotes nomeados para as cadeiras vagas, ajustando detalhes do processo e destacando o valor jurídico-canônico e pastoral do Cabido, ligado à missão da Igreja Catedral.
A sessão solene de investidura dos novos cônegos aconteceu durante as festividades de São Sebastião em janeiro de 2025, com forte participação de clérigos e fiéis, e a organização interna do Cabido incluiu, desde então, funções de coordenação e serviço para a vida capitular.
A revitalização reestabeleceu as cadeiras do Cabido com os seguintes cônegos: Côn. Paulo Roberto Gomes; Côn. Adilson José Dias Nery; Mons. Côn. Waltencyr Alves Rodrigues; Côn. Carlos Roberto Moreira de Oliveira; Côn. Sebastião Jorge Corrêa; Côn. Oliveiro Teodoro Pereira; Mons. Côn. José Carlos Ferreira Leite; Côn. Edmilson Ferreira de Souza; Côn. Marcelo Sérgio Barros; Mons. Côn. Antônio Luís da Silva.
Em sua homilia durante a Solene Celebração Eucarística que marcou um ano da revitalização do Cabido Diocesano, o bispo de Leopoldina, dom Edson Oriolo, recordou que, há um ano, a Diocese de Leopoldina deu um passo significativo em sua caminhada evangelizadora no Sudeste de Minas Gerais com a revitalização do Cabido Diocesano. Segundo ele, a decisão foi motivada pelo fato de a diocese contar, até então, com apenas um membro vivo, o cônego Sebastião Jorge, o que exigia uma reorganização dessa instituição histórica.
Dom Edson destacou que sempre foi um defensor do cabido, experiência que também viveu quando integrou o Cabido da Arquidiocese de Pouso Alegre. Para o bispo, trata-se de uma instituição venerável, carregada de profundo significado para a vida da Igreja, especialmente por sua contribuição à comunhão e à organização eclesial.
O bispo explicou que, embora a dimensão litúrgica seja a face mais visível do cabido, suas atribuições vão além do aspecto simbólico. Na Diocese de Leopoldina, o Cabido Diocesano passa a assumir funções práticas e estratégicas, atuando como apoio direto do bispo em áreas fundamentais, como a reforma de igrejas e residências paroquiais, além do acompanhamento técnico na regularização do patrimônio diocesano, que atualmente necessita de adequações urgentes às normas civis.
Ao fazer referência à realidade de grandes arquidioceses brasileiras, dom Edson Oriolo ressaltou que o cabido tem papel central tanto na preservação histórica quanto na eficácia administrativa da Igreja, contribuindo para a organização e a continuidade da missão diocesana.
Concluindo sua reflexão, afirmou que a restauração e o fortalecimento do Cabido Diocesano ajudam a Diocese de Leopoldina a seguir com firmeza em sua identidade de Igreja particular, fortalecendo o sentimento de pertença e corresponsabilidade. Ele enfatizou que o cabido não pertence ao bispo nem ao clero individualmente, mas à própria Igreja.
Por fim, destacou que o cabido permanece vivo como guardião da memória e das verdades que não devem ser esquecidas. Segundo ele, não se trata de um espaço de honra isolada, mas de um chamado ao serviço, à unidade e ao dinamismo missionário, em sintonia com uma Igreja em saída e em constante movimento.
A missa de 19 de janeiro de 2026 consolidou, assim, a proposta de que a revitalização do Cabido não seja vista apenas como reorganização interna, mas como um resgate de tradições e um fortalecimento da identidade diocesana, evidenciando a Catedral como centro de comunhão do clero e do povo de Deus.















