Celebrações em todas as paróquias de Ubá nesta segunda-feira (02), às 19h, marcam início dos trabalhos. Dom Edson preside celebração na Matriz São Januário, às 19h.
A cidade de Ubá ainda vive os impactos da enchente que marcou profundamente sua história recente. Ruas cobertas de lama, casas atingidas, famílias desalojadas e um povo que, entre lágrimas e esperança, tenta reorganizar a própria vida. Em meio a esse cenário, a Igreja se faz presença — não apenas com palavras de consolo, mas com gestos concretos de comunhão.
Os momentos pós-tragédia têm exigido esforços intensos dos sacerdotes e lideranças paroquiais da Forania de Nossa Senhora do Rosário. Visitas às famílias, organização de doações, celebrações marcadas pela dor e pela súplica, atendimento espiritual e escuta fraterna tornaram-se rotina.
Foi nesse contexto que a chegada do bispo diocesano às paróquias de Ubá se tornou um sinal visível de unidade e proximidade. Para o padre João Victor Melo Martins, pároco da Paróquia Santa Bernadete, o gesto teve forte carga emocional. “Quando vi o bispo chegando na paróquia, percebi que não estava sozinho e me emocionei muito.”
A visita episcopal reacendeu nos corações o sentido profundo da comunhão presbiteral. A presença de outros sacerdotes da diocese junto aos irmãos do presbitério e ao povo de Deus revelou que a dor de Ubá não é isolada: é dor de toda a Igreja particular de Leopoldina.
Uma frente pastoral ampla e organizada
Sensível às necessidades concretas da população e atento à dimensão espiritual da crise, Dom Edson Oriolo convocou os sacerdotes das 34 cidades que compõem o território diocesano para uma ação coordenada e estruturada.
Em carta direcionada ao clero, o bispo destacou a importância de vivenciar, na prática, a caridade pastoral, a diocesaneidade e a sinodalidade — pilares que sustentam a vida e a missão da Igreja.
Ele propôs que cada forania adotasse uma paróquia da Forania de Nossa Senhora do Rosário, criando uma rede de apoio pastoral e fraterno:
Forania Nossa Senhora Mãe de Deus: Paróquia São Januário
Forania Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Paróquia Divino Espírito Santo
Forania Nossa Senhora Aparecida: Paróquia São José
Forania Nossa Senhora do Carmo: Paróquia Santa Bernadete
Forania Nossa Senhora das Graças: Paróquia São Sebastião
Forania Nossa Senhora de Guadalupe: Paróquia Nossa Senhora do Rosário
Segundo o bispo, essa visita permitirá aos sacerdotes uma visão mais realista do problema e favorecerá uma compreensão concreta de como colaborar diante das diversas necessidades — espirituais, sociais e estruturais. Trata-se de um verdadeiro exercício de comunhão presbiteral: padres de outras regiões forâneas deslocando-se até Ubá para celebrar, ouvir, organizar ajuda, visitar famílias e partilhar da mesma missão.
Comunhão que gera esperança
A proposta vai além de uma assistência pontual. Ela expressa o rosto de uma Igreja que caminha unida, que compartilha dores e responsabilidades, que compreende que nenhuma comunidade está sozinha.
A sinodalidade, tantas vezes refletida em encontros e formações, ganha agora forma concreta: caminhar juntos diante do sofrimento. A diocesaneidade deixa de ser conceito para tornar-se prática: o que acontece em Ubá diz respeito a todo o território diocesano.
Ao convocar o clero, Dom Edson reforçou: “Vamos vivenciar a comunhão presbiteral juntamente com nosso povo em ações concretas de fé, caridade e esperança.”
Retrospecto: do retiro espiritual à missão concreta
Poucos dias antes da tragédia, o clero da Diocese de Leopoldina vivenciava o retiro espiritual anual — momento de recolhimento, oração e renovação interior. Ali, os sacerdotes refletiam sobre conversão, missão e fidelidade ao chamado pastoral.
O que poderia parecer apenas um tempo de preparação espiritual revelou-se, na providência divina, um fortalecimento necessário para os desafios que se aproximavam. Do silêncio do retiro à tragédia de Ubá, a Igreja passou da contemplação à ação. A espiritualidade alimentada na oração tornou-se combustível para o serviço. A comunhão vivida no recolhimento transformou-se em fraternidade prática no enfrentamento da dor do povo.
Desde então, sucederam-se visitas do bispo às paróquias atingidas, organização de redes de solidariedade, campanhas de arrecadação e articulações pastorais. Agora, com a adoção das paróquias pelas foranias, a Diocese de Leopoldina entra em uma nova etapa: uma frente pastoral estruturada, contínua e solidária.
Uma Igreja que caminha com o povo
Mais do que uma resposta emergencial, o que se constrói é um testemunho. O testemunho de uma Igreja que não abandona seus filhos nas horas difíceis. Uma Igreja que, unida, soma forças.
Em meio às marcas da enchente, floresce também algo profundamente evangélico: a certeza de que a caridade pastoral é expressão concreta do amor de Cristo. E, como afirmam muitos fiéis, se a lama ainda cobre parte da cidade, a esperança já começa a brotar nos corações — sustentada pela fé e pela comunhão.
