Em uma reflexão sobre a identidade religiosa de Minas Gerais, o bispo da Diocese de Leopoldina, dom Edson Oriolo, destacou a profunda conexão entre o povo mineiro e a figura de São Sebastião, mártir da Igreja e testemunha fiel de Cristo. Segundo o prelado, o sudeste do estado preserva uma das mais expressivas manifestações de fé do país, marcada por uma religiosidade viva, comunitária e profundamente enraizada na história.
Dom Edson Oriolo observa que a Diocese de Leopoldina está inserida em um território reconhecido pela intensa vivência da fé. Para ele, a religiosidade do povo não se resume a números, mas se revela no cotidiano das comunidades, nas celebrações, nas festas de padroeiros e na participação perseverante do povo de Deus na vida das comunidades eclesiais missionárias. Ainda assim, o bispo lembra que dados recentes do censo ajudam a confirmar essa realidade, colocando o sudeste mineiro em posição de destaque no cenário nacional quanto aos índices de religiosidade.
“Minas Gerais é feita de muitas ‘Minas’, com expressões diversas de fé, mas há um fio condutor que une esse povo: a confiança em Deus e a vivência comunitária da religião”, assinala o bispo. Para ele, trata-se de uma fé que atravessa gerações, molda identidades e sustenta laços sociais.
Entre as devoções que marcam essa identidade, o bispo de Leopoldina destaca a forte presença de São Sebastião na vida da diocese. Atualmente, o santo é padroeiro de nove paróquias, incluindo a Catedral de São Sebastião, sede do bispado, além de inspirar dezenas de comunidades eclesiais missionárias espalhadas pelas diversas regiões forâneas desta Igreja particular.
Ao refletir sobre o significado dessa devoção, o bispo traça um paralelo entre o testemunho do mártir e a vida do povo mineiro. “Assim como São Sebastião não recuou diante das perseguições e permaneceu fiel à sua fé, o nosso povo também vive uma religiosidade marcada pela coragem, pela perseverança e pela confiança em Deus”, afirmou. Segundo ele, essa devoção começou como uma “sementinha”, plantada ainda no processo de formação dos povoados, e que ao longo do tempo se espalhou, permanecendo viva no coração das comunidades.
Ao longo de sua missão episcopal, dom Edson Oriolo tem acompanhado de perto essa expressão de fé. A participação do bispo na vida das comunidades paroquiais, participando dos novenários e celebrações em honra a São Sebastião o faz perceber o carinho do povo pelas tradições religiosas e o cuidado com a vida paroquial. Neste ano, esteve nas cidades de Visconde do Rio Branco, Eugenópolis, Volta Grande, Vieiras, Leopoldina, Barão do Monte Alto, Ubá, Piraúba e São Sebastião da Vargem Alegre.
“O que mais me chama a atenção é a sensibilidade e o amor com que as comunidades preparam suas festas, suas novenas e suas celebrações. Isso revela uma fé simples, mas profundamente comprometida”, destacou.
Ao concluir sua reflexão, Dom Edson reforçou a importância de preservar e valorizar essa herança espiritual, não apenas como memória do passado, mas como força evangelizadora para o presente e o futuro. Para o bispo, a devoção a São Sebastião continua sendo um caminho privilegiado de evangelização, capaz de unir tradição, fé e compromisso comunitário.
