É inebriante dedicar alguns instantes a Nossa Senhora, mais gratificante ainda é transformar esses “instantes de pensamento” em palavras. Somente por Jesus, pensa-se em Maria. Ele é a hermenêutica do Pai, o Ser que, por sua vez, explica, também, a existência de sua mãe. É essencialmente cristão pensar em Maria de Nazaré.
Rubem Alves dizia que o natal é a expressão concreta para entender que Deus gosta de brincar, uma vez que Ele se fez criança, deixou-Se embalar por braços humanos e os tais primeiros braços são de Maria. A primeira troca de olhares da história cristã foi entre Jesus de Nazaré e sua mãe. Coube a Maria a exigente compreensão de que, os olhos que a fitavam, naquela manjedoura, eram os olhos de Deus.
Ela interpretou o primeiro olhar, aquele primeiro brilho, a divina expressão do Amor que nascia. A santa percepção que iluminava a inteligência de Maria, para ainda mais ser mãe, como fora convidada pelo próprio Deus fez com se tornasse bem – aventurada porque acreditou. Tal fato impele na criatividade a seguinte interrogação: ela interpretou o primeiro olhar, por que não interpretaria o nosso? A história de Maria é efeito da história de Jesus. Primeiro Ele e, por Ele, ela. Ela é uma emanação de seu amor.
Com efeito, sua carinhosa presença interpreta nossos olhares e os traduz ao coração de Jesus. De nenhuma forma seria exagero dizer que ela foi a mulher mais elegante da história cristã, inspiradora de tantas outras elegâncias como: Dulce dos pobres, Teresa de Calcutá, Josefina Bakita, Nhá Chica e tantas outras elegantes anônimas que nós conhecemos tão de perto. Elegância, cabe ressaltar, externada pela beleza da simplicidade e o ornamento da fé.
Intérprete do primeiro olhar, do primeiro sentimento, primeiro choro e primeiro riso, foi Maria. Quem sabe foi a interpretação daquele primeiro olhar que a sustentou de pé diante da cruz, na sua pior hora? (Cf. Jo 19,25). O sentimento de uma Presença que nunca se ausenta justifica a presença de Maria junto à Igreja que nascia após a dor da cruz.
É preciso aproximar-se de Nossa Senhora com filial silêncio. Essa aproximação permite alinhar o olhar humano ao seu humano olhar e, progressivamente, aprender a interpretar também o olhar do mestre. Não o primeiro dos primeiros, mas o que hoje Ele insiste em trocar conosco. A emoção oriunda disso é pertencente só a Maria, reservada exclusivamente a ela para compor sua natural e santa beleza. Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós.
Padre Alessandro Tavares Alves
Diocese de Leopoldina
