Na manhã desta Quinta-feira Santa (2), a Catedral de São Sebastião acolheu uma das mais significativas celebrações da Igreja Católica: a Missa dos Santos Óleos, também conhecida como Missa do Crisma. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano, dom Edson Oriolo, e concelebrada por todo o clero da Diocese de Leopoldina, reunindo sacerdotes, religiosos, seminaristas e fiéis vindos das diversas paróquias dos 34 municípios que compõem o território diocesano.
Celebração da unidade da Igreja
A Missa dos Santos Óleos é considerada a celebração da unidade do presbitério com o bispo, expressando visivelmente a comunhão da Igreja particular. Neste dia, os sacerdotes renovam publicamente as promessas feitas no dia de sua ordenação, reafirmando o compromisso com o ministério e com o povo de Deus.
Em sua homilia, dom Edson Oriolo destacou que esta celebração “é o vínculo visível da unidade presbiteral”, na qual o individual dá lugar ao comunitário, e o sacerdócio é vivido como serviço em comunhão. O bispo também recordou que o sacerdócio encontra sua plenitude quando exercido na fraternidade e na caridade, em união com o bispo e entre os próprios presbíteros, superando desafios e fortalecendo a missão evangelizadora da Igreja.
A bênção dos Santos Óleos
Um dos momentos centrais da celebração foi a bênção dos Óleos dos Catecúmenos e dos Enfermos, e a consagração do Santo Crisma, que serão utilizados ao longo de todo o ano nas paróquias da Diocese de Leopoldina.
Os óleos possuem profundo significado na vida sacramental da Igreja:
Óleo dos Catecúmenos: utilizado no Batismo, simboliza a força de Deus que prepara o fiel para a vida cristã;
Óleo dos Enfermos: usado no sacramento da Unção dos Enfermos, representa a consolação e a cura espiritual;
Santo Crisma: consagrado pelo bispo, é utilizado no Batismo, Crisma e Ordenações, sendo sinal da unção do Espírito Santo.
Durante a homilia, Dom Edson recordou o ensinamento do Papa Bento XVI, que define o óleo como sinal da bondade de Deus que acompanha o fiel ao longo de toda a vida.
A missão de Cristo e da Igreja
Inspirado no Evangelho proclamado (Lc 4,16-21), o bispo refletiu sobre a missão de Jesus, ungido pelo Espírito Santo para evangelizar os pobres, libertar os oprimidos e anunciar a graça do Senhor. Ao aplicar essa mensagem à realidade da Diocese, dom Edson Oriolo ressaltou que a missão da Igreja deve se concretizar no cuidado com os mais necessitados, na promoção da dignidade humana e na reconstrução da esperança, especialmente diante das realidades sociais vividas nas cidades da região.
Nesse contexto, a homilia também fez referência ao compromisso concreto da Diocese de Leopoldina com a solidariedade e a reconstrução de comunidades, a exemplo de Ubá (MG), onde a população sobre com os impactos da recente trajédia das enchentes na cidade, destacando que o anúncio do “ano da graça do Senhor” deve se traduzir em ações efetivas na vida do povo.
Fraternidade sacerdotal e comunhão
Outro ponto forte da reflexão foi a fraternidade presbiteral, apresentada como dimensão essencial do ministério sacerdotal.
Dom Edson Oriolo destacou que os sacerdotes não caminham sozinhos, mas formam uma verdadeira família sacramental, unidos pelo mesmo sacerdócio e pela missão comum. A vida fraterna, segundo ele, deve se expressar na oração, no apoio mútuo, na partilha e na corresponsabilidade pastoral.
A comunhão com o bispo, por sua vez, foi ressaltada como elemento indispensável para a autenticidade do ministério, sendo ele o princípio visível da unidade da Igreja particular.
Renovação do “sim” ao ministério
Ao final da celebração, os sacerdotes renovaram suas promessas sacerdotais, reafirmando diante do bispo e do povo o compromisso de servir com fidelidade, zelo e espírito missionário. A celebração da Missa dos Santos Óleos, assim, não se limitou a um rito litúrgico, mas se configurou como um profundo momento de renovação espiritual, comunhão e envio missionário, preparando o clero e os fiéis para viver com intensidade os mistérios centrais da fé durante o Tríduo Pascal.
Encerrando sua reflexão, dom Edson exortou os sacerdotes a viverem o ministério com alegria, unidade e fidelidade, confiando na força do Espírito Santo, que sustenta e renova continuamente a missão da Igreja.

















































